Entrevistas

Exposição e perseguição de profesores e professoras no Brasil

Entrevista com as pesquisadoras e professoras brasileiras Pâmella Passos, Evelyn Morgan e Amanda Mendonça 

As três pesquisadoras do atual projeto de pesquisa “Educadores são defensores”, nos falam do impacto preocupante do avanço conservador na educação brasileira e dos ataques que aqueles que pesquisam e ensinam a partir de uma perspectiva crítica estão sofrendo cada vez mais no Brasil. Elas também destacam o uso crescente de redes sociais como uma ferramenta para expor, perseguir e assediar professores. Todos os fatos alarmantes que contribuem para um processo de enfraquecimento da democracia, para a restrição da liberdade acadêmica, bem como para uma deterioração da qualidade da educação pública no Brasil. Pâmella Passos é professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). Ela fez dois estágios de pós-doutoramentos.

Um deles no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (2021) e antes disso uma estadia de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social / Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro (2016). Pâmella é doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense e mestre em História, com especialização em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ela é vice-diretora do Grupo de Pesquisa em Educação e Cultura Tecnológica (GPTEC) e atualmente coordena a pesquisa “Educadores são defensores”, um estudo de viabilidade para a criação de um programa de fomento a professores em situação de risco no Brasil. Evelyn Morgan é professora do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia da Educação do Rio de Janeiro (IFRJ). É doutora em História e Patrimônio Cultural pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea Brasileira (CPDOC/FGV) da Fundação Getúlio Vargas. Ela é atualmente vice-coordenadora do projeto de pesquisa “Educadores são defensores”, mencionado anteriormente.

Amanda Mendonça é doutora em Política Social pela Universidade Federal Fluminense e tem um estágio de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (2021). Ela também possui mestrado em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFRJ e é especialista em gênero e sexualidade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ela é membro do Observatório de Educação do Laicismo – OLÉ e também é pesquisadora associada do Grupo de Pesquisa em Tecnologia, Educação e Cultura – GPTEC. Ela é atualmente a assistente de pesquisa geral para o estudo “Educadores são defensores”.

“Os acadêmicos preferem manter um perfil baixo e não ser identificados como possíveis alvos de ataques”

Entrevista com a pesquisadora e historiadora mexicana Celia del Palacio
(Maio de 2021)

A historiadora Celia del Palacio, especialista no estudo da violência contra a imprensa no México, atualmente está investigando a dinâmica dos ataques e da violência contra acadêmicos, estudantes e universidades do país. Nesta entrevista, Célia partilha conosco alguns dos resultados parciais da sua pesquisa sobre uma violência que é frequentemente invisível, escondida e até normalizada pela sociedade e muitas vezes até por aqueles que a sofrem.

A professora Celia del Palacio é doutora em História pela Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) e é membro do Sistema Nacional de Investigadores. É pesquisadora na Universidad Veracruzana. É autora de numerosos livros e artigos de renome sobre a história da imprensa nas regiões do México e a violência contra os jornalistas mexicanos nos últimos anos. Celia é atualmente bolsista no Centro de Estudios Latinoamericanos Avanzados Maria Sybilla Merian (CALAS) em Guadalajara.

“Que pena que na Colômbia estejamos mais preparados para a morte do que para a vida”

Entrevista com a Professora Sara Fernandez da Universidade de Antioquia, Colômbia.

(Março 2021)

A professora Sara Fernández, secretária do Conselho de Administração da Associação de Professores da Universidade de Antioquia, foi forçada a deixar o seu país depois de ter sido vítima de um atentado contra a sua vida dentro da sua casa em Medellín, em Março de 2020. A Associação de Professores da Universidade de Antioquia, da qual a Sara é membro, e outras organizações universitárias, colegas e estudantes da universidade tinham recebido ameaças alguns dias antes do ataque. O ataque ao Professora Fernández não é um caso isolado em Antioquia, mas reflete um padrão histórico e cíclico de violência contra aqueles que trabalham na universidade e defendem a educação pública em Antioquia e no país. A entrevista expõe também as dificuldades das universidades em lidar com este tipo de situação e em fornecer apoio adequado.

Sara Yaneth Fernández Moreno pertence à segunda geração profissional da família. É uma académica, feminista e ativista, defensora da saúde e da educação como um direito humano fundamental, livre e universal, garantido pelo Estado. Sara é uma lutadora pelos direitos sexuais e reprodutivos, pela dissidência sexual e uma defensora de uma vida livre de violência contra as mulheres.

 

Entrevista com a cientista política e co-fundadora da Rede Acadêmicxs em Risco, Francesca Lessa

(Fevereiro 2021)

O caso de Francesca Lessa foi um dos que motivou o primeiro encontro onde a rede Academicxs en Riesgo foi fundada em Barcelona em 2018, onde pesquisadores de vários países e disciplinas também compartilharam suas histórias, muitas vezes silenciadas, de assédio e ameaças como consequências das suas tarefas de investigação e ensino em ambientes universitários.

Francesca Lessa é Professora Assistente em Estudos Latino-Americanos e Desenvolvimento na Universidade de Oxford. Ela é também Presidente Honorária do Observatório Luz Ibarburu no Uruguai. É doutorada em Relações Internacionais (London School of Economics and Political Science) e foi bolsista de pesquisa Marie Skłodowska-Curie entre 2016 e 2020. É autora do livro “Memory and Transitional Justice in Argentina and Uruguay: Against Impunity” (2013) e co-editora dos volumes: “Amnesty in the Age of Human Rights Accountability: Comparative and International Perspectives” (com Leigh A. Payne, 2012), “The Memory of State Terrorism in the Southern Cone”: Argentina, Chile, e Uruguai” (com Vincent Druliolle, 2011), e “Luta contra a Impunidade: Uruguai 1985-2011” (com Gabriela Fried, 2011).

 

 

“O risco de escrever sobre a violência e de fazer trabalho de campo e investigação na Colômbia”

Entrevista com o antropólogo colombiano Lerber Dimas Vásquez

(Fevereiro 2021)

Lerber Dimas Vásquez, antropólogo colombiano, especialista em violência urbana e crime organizado na região da Serra Nevada na Colômbia, compartilha sua experiência de ameaças e intimidação que o forçaram a deixar o país.

Lerber Dimas Vásquez é membro da Oraloteca da Universidad del Magdalena e membro do Grupo de Investigação sobre Educação, Direitos Humanos e Ensino Humanizado de Ciência e Tecnologia do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), Minas Gerais; é também membro do Comitê Científico de Investigadores Internacionais da editora Navegando (Brasil) e professor de Antropologia na Universidad de la Guajira.