{"id":115,"date":"2021-07-27T11:26:55","date_gmt":"2021-07-27T09:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/?p=115"},"modified":"2021-08-06T11:57:56","modified_gmt":"2021-08-06T09:57:56","slug":"entrevista-com-celia-del-palacio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/entrevistas\/entrevista-com-celia-del-palacio\/","title":{"rendered":"Entrevista com Celia del Palacio"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.7&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_row column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.9.2&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.7&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/07\/Celia-del-Palacio.jpg&#8221; title_text=&#8221;Celia del Palacio&#8221; align=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;4.9.2&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||3px|||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.9.10&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; min_height=&#8221;28.6px&#8221; custom_padding=&#8221;0px|||5px||&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p>Foto: Celia del Palacio<\/p>\n<p>Revis\u00e3o de portugu\u00eas feita por Fernada Terra<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.7&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.9.10&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;26px|||||&#8221;]<\/p>\n<p><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8220;Os acad\u00eamicos preferem manter um perfil baixo e n\u00e3o ser identificados como poss\u00edveis alvos de ataques&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nesta entrevista, Celia del Palacio nos fala dos desafios de lidar com a viol\u00eancia contra os acad\u00eamicos no M\u00e9xico, explicando a sua invisibilidade e naturaliza\u00e7\u00e3o num contexto caracterizado pela impunidade e riscos e, portanto, o medo de pesquisar quest\u00f5es cr\u00edticas. Celia destaca a normaliza\u00e7\u00e3o deste tipo de ataques, bem como a aus\u00eancia de pol\u00edticas universit\u00e1rias para lidar com este problema como fatores s\u00e9rios para responder e apoiar as v\u00edtimas destes ataques.<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Vamos come\u00e7ar com uma introdu\u00e7\u00e3o sobre voc\u00ea e ao seu trabalho de pesquisa sobre a viol\u00eancia no M\u00e9xico.<\/strong><\/p>\n<p>Depois de pesquisar a hist\u00f3ria da imprensa no M\u00e9xico, nos \u00faltimos anos dediquei-me ao estudo da viol\u00eancia contra jornalistas a n\u00edvel subnacional. Sobre este tema, para al\u00e9m de v\u00e1rios artigos em revistas acad\u00eamicas e populares, publiquei o livro Callar o Morir en Veracruz. Medios de Comunicaci\u00f3n y Violencia durante el Sexenio de Javier Duarte, 2010-2016 (2018) e coordenei o livro Violencia y periodismo en las regiones de M\u00e9xico (2015), um estudo comparativo no qual 15 acad\u00eamicos de diferentes partes do pa\u00eds analisaram a viol\u00eancia contra os comunicadores. Al\u00e9m disso, trabalhei na viol\u00eancia representada em imagens e publiquei o livro do jovem fot\u00f3grafo F\u00e9lix M\u00e1rquez, Testigo de la violencia. Publiquei recentemente um livro de entrevistas com familiares de desaparecidos na regi\u00e3o de Orizaba-C\u00f3rdoba de Veracruz, que contem fotografias de m\u00e3es com os seus filos sob o t\u00edtulo Porque la lucha por un hijo no termina\u2026<\/p>\n<h4><\/h4>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.9.2&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;19px|||||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.8.2&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.9.10&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_4_font=&#8221;|700||||on|||&#8221; header_4_text_color=&#8221;#A0522D&#8221; header_4_line_height=&#8221;1.5em&#8221; min_height=&#8221;2326.7px&#8221; custom_padding=&#8221;0px|||||&#8221;]<\/p>\n<h4>Num contexto como o mexicano, em que encontramos um elevado n\u00famero de ataques contra defensores dos direitos humanos e jornalistas, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o dos acad\u00eamicos que trabalham sob uma perspectiva cr\u00edtica sobre quest\u00f5es que podem ser inconvenientes para alguns actores?<\/h4>\n<p>Os acad\u00eamicos, como quase todos os outros no M\u00e9xico, est\u00e3o em risco. Como diria a antrop\u00f3loga Mar\u00eda Eugenia de la O, o M\u00e9xico sofre de &#8220;viol\u00eancia acumulada e densamente articulada&#8221; e o sentimento de inseguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, embora tenha diminu\u00eddo em rela\u00e7\u00e3o aos trimestres anteriores, at\u00e9 Mar\u00e7o de 2021 \u00e9 consider\u00e1vel. De acordo com o Inqu\u00e9rito Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica Urbana (<a href=\"https:\/\/www.inegi.org.mx\/app\/saladeprensa\/noticia.html?id=6458\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ENSU-INEGI<\/a>), 66,4% da popula\u00e7\u00e3o com mais de 18 anos considera que viver na sua cidade n\u00e3o \u00e9 seguro (mais as mulheres: 71% de las experimentaram este sentimento e 60,9% dos homens).<br \/>Assim, a situa\u00e7\u00e3o dos acad\u00eamicos n\u00e3o \u00e9 diferente da da maioria da popula\u00e7\u00e3o neste sentido. Tendo estudado a viol\u00eancia contra jornalistas durante 9 anos, posso dizer que os ataques vem de diferentes partes e por diferentes raz\u00f5es: n\u00e3o se pode fazer uma t\u00e1bua rasa em todas as regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em termos do contexto universit\u00e1rio, \u00e9 importante notar que, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, no M\u00e9xico desde 1968, houve um pacto governamental com os professores esquerdistas que se refugiaram nas universidades e foram &#8220;autorizados&#8221; a expressar as suas opini\u00f5es, ou seja, foram protegidos pelo Estado desde que n\u00e3o abandonassem as suas esferas tradicionais. At\u00e9 hoje, atacar um professor universit\u00e1rio tem um custo elevado para o Estado. O mesmo acontece com estudantes de n\u00edveis superiores; \u00e9 por isso que Ayotzinapa marcou um antes e um depois.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 claro, houve ataques contra acad\u00eamicos, embora n\u00e3o tenham sido tornados vis\u00edveis. E, de fato, \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar entre diferentes esferas em que os acad\u00eamicos sofrem viol\u00eancia.<\/p>\n<p>1) A viol\u00eancia contextual em que realizam o seu trabalho e que alguns deles sofrem como resultado de &#8220;estarem no lugar errado com a pessoa errada&#8221;.<\/p>\n<p>2) A viol\u00eancia sofrida como resultado dos seus temas de pesquisa<br \/>Por outro lado, seria necess\u00e1rio distinguir a viol\u00eancia sofrida pelos colegas, tendo em conta quem \u00e9 que exerce viol\u00eancia contra eles: o crime organizado e outros atores criminosos, bem como as pr\u00f3prias autoridades.<\/p>\n<h4>Porque pensa que a intimida\u00e7\u00e3o sofrida por aqueles que trabalham no meio acad\u00eamico n\u00e3o alcan\u00e7ou maior visibilidade, como no caso dos defensores dos direitos humanos e dos jornalistas? Existe uma subnotifica\u00e7\u00e3o destes casos?<\/h4>\n<p>H\u00e1, sem d\u00favida, uma subnotifica\u00e7\u00e3o. A preocupa\u00e7\u00e3o com estas quest\u00f5es s\u00f3 agora come\u00e7ou no M\u00e9xico e foram os antrop\u00f3logos que come\u00e7aram a sistematiz\u00e1-las. H\u00e1 algum tempo atr\u00e1s, acad\u00eamicos do CIESAS (Centro de Investigaci\u00f3n y Estudios en Antropolog\u00eda Social: ver Website <a href=\"https:\/\/ciesas.edu.mx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) dedicaram alguns artigos da sua revista Desacatos ao assunto. A\u00ed, os autores fazem uma profunda reflex\u00e3o sobre o trabalho da antropologia em tempos violentos e analisam os novos temas, novos temas de estudo e dilemas \u00e9ticos para os abordar, mas muito poucos deles lidam directamente com os perigos, amea\u00e7as ou intimida\u00e7\u00f5es sofridas. Uma s\u00e9rie de v\u00eddeos coordenados por Victoria Novelo complementam este inqu\u00e9rito, mas n\u00e3o se debru\u00e7am demasiado sobre os ataques sofridos (&#8220;Fieldwork in violent times&#8221;, 2011. Ver <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=eSUA_dODl1w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, quando iniciei o trabalho de pesquisa sobre este tema e quis entrevistar colegas que conhecia ou tinha ouvido dizer que tinham sofrido ataques devido \u00e0 sua pesquisa, descobri, para minha grande surpresa, que eles negavam t\u00ea-los sofrido e at\u00e9 negavam conhecer algu\u00e9m que tivesse sofrido tal viol\u00eancia. Muito poucos concordaram em partilhar as suas experi\u00eancias.<br \/>Creio que a principal raz\u00e3o para esta dissimula\u00e7\u00e3o \u00e9 o medo. Os acad\u00eamicos preferem manter um perfil baixo e n\u00e3o ser identificados como poss\u00edveis alvos de ataques. Noutros casos h\u00e1 uma clara tend\u00eancia para minimizar o risco, por medo de ser rotulado como alarmista ou exagerado. A viol\u00eancia \u00e9 t\u00e3o naturalizada nos nossos contextos que um ataque pode ser percebido como inevit\u00e1vel, &#8220;normal&#8221;. Talvez outros acad\u00eamicos sejam movidos pela nega\u00e7\u00e3o e pelo desejo de esquecer o que aconteceu, de fingir que nunca aconteceu.<\/p>\n<h4>Na sua pesquisa, analisou em profundidade as caracter\u00edsticas e modalidades da viol\u00eancia sistem\u00e1tica sofrida pelos jornalistas no M\u00e9xico. Que semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as v\u00ea com as situa\u00e7\u00f5es de risco vividas pelos pesquisadores e professores universit\u00e1rios no M\u00e9xico?<\/h4>\n<p>Os acad\u00eamicos no M\u00e9xico que estudam a viol\u00eancia, a corrup\u00e7\u00e3o por agentes estatais, o crime organizado, especialmente os antrop\u00f3logos que trabalham na \u00e1rea, s\u00e3o os mais expostos a serem v\u00edtimas de viol\u00eancia. Neste sentido, s\u00e3o muito semelhantes aos jornalistas que saem para fazer reportagens e s\u00e3o atacados porque se encontram no meio de um conflito por terra ou poder entre diferentes actores, ou como v\u00edtimas colaterais ao entrevistar uma potencial v\u00edtima dos poderes constitu\u00eddos e de fato. Jornalistas e acad\u00eamicos s\u00e3o tamb\u00e9m v\u00edtimas de viol\u00eancia criminosa como o resto da popula\u00e7\u00e3o, e finalmente, tal como os jornalistas, os acad\u00eamicos podem sofrer ataques como resultado da sua investiga\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que tanto os jornalistas como os acad\u00eamicos pr\u00f3ximos das quest\u00f5es acima descritas s\u00e3o os mais suscept\u00edveis de serem atacados; contudo, em algumas ocasi\u00f5es, tanto os jornalistas como os acad\u00eamicos podem ser atacados por quest\u00f5es aparentemente \u201cinocentes\u201d, cujo risco n\u00e3o \u00e9 imediatamente aparente.<\/p>\n<h4>A invisibilidade de um problema torna frequentemente dif\u00edcil encontrar alternativas ou estrat\u00e9gias para lidar com ele. Que recursos ou estrat\u00e9gias os acad\u00eamicos que sofrem amea\u00e7as ou intimida\u00e7\u00f5es utilizam?<\/h4>\n<p>Muitos pesquisadores que trabalham em regi\u00f5es de risco suspenderam o seu trabalho de campo. Outros tiveram de se apresentar aos criminosos ou aos seus representantes para poderem entrar nas \u00e1reas por eles controladas. Outros at\u00e9 mudaram os seus t\u00f3picos de investiga\u00e7\u00e3o, abordando-os de uma perspectiva te\u00f3rica ou intercalando publica\u00e7\u00f5es sobre outros temas, para que n\u00e3o fossem identificados como autores sobre quest\u00f5es de viol\u00eancia e\/ou corrup\u00e7\u00e3o e\/ou conluio de agentes estatais com o crime organizado. At\u00e9 mesmo os estudantes deixaram de abordar quest\u00f5es de risco.<\/p>\n<p>Entrevistei uma s\u00e9rie de pesquisadores sobre estas situa\u00e7\u00f5es de risco e muitos deles assumiram que tomavam medidas a n\u00edvel pessoal para se protegerem, entre estas medidas mencionaram as seguintes:<br \/>H\u00e1 um cuidado que deve ser tomado a t\u00edtulo pessoal, incluindo n\u00e3o viajar sozinho, mas como parte de uma equipe e entrar em contato constantemente com a fam\u00edlia e os colegas.<\/p>\n<p>Um pesquisador sobre viol\u00eancia enfatizou a procura de outras formas de conduzir investiga\u00e7\u00e3o, fazendo entrevistas e assinando consentimentos informados, fazendo-as de forma p\u00fablica, n\u00e3o fazendo entrevistas com informa\u00e7\u00e3o comprometedora para o investigador ou fontes, uma vez que as entrevistas sobre quest\u00f5es relacionadas com a viol\u00eancia est\u00e3o intimamente relacionadas com a investiga\u00e7\u00e3o policial e podem ser muito comprometedoras. Um dos meus entrevistados recomendou: &#8220;N\u00e3o tente ser um her\u00f3i e queira revelar coisas que nunca disse antes. Este tipo de atitude n\u00e3o serve a qualquer prop\u00f3sito e pode ser muito dispendioso para o pesquisador e sua fam\u00edlia. Os pesquisadores entrevistados sublinharam que \u00e9 necess\u00e1rio saber contar as coisas, procurar narrativas bem pensadas que n\u00e3o sejam arriscadas para ningu\u00e9m.<br \/>V\u00e1rios entrevistados salientaram a necessidade de gerar uma maior consci\u00eancia do risco nos estudantes que t\u00eam muito pouca experi\u00eancia nestas quest\u00f5es e que pretendem realizar pesquisas arriscadas. \u00c9 importante sensibiliz\u00e1-los para o risco a que est\u00e3o expostos para que, se decidirem fazer a pesquisa, o fa\u00e7am com os instrumentos adequados e medidas de precau\u00e7\u00e3o ou prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, uma boa estrat\u00e9gia para minimizar os riscos \u00e9 procurar realizar pesquisa interinstitucional e pesquisa com organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e institui\u00e7\u00f5es governamentais em grandes equipes. A pesquisadora Severine Durin diz como conseguiu ultrapassar momentos de crise: \u201cMobilizar os meus recursos emocionais, mas tamb\u00e9m intelectuais, foi uma parte importante da minha luta para recuperar o meu espa\u00e7o vital e a seguran\u00e7a a que tenho direito\u201d (Durin, S\u00e1lvese quien pueda. Violencia generalizada y desplazamiento forzado en el noreste de M\u00e9xico, CIESAS, 2019, p. 42). Juntou-se tamb\u00e9m a uma organiza\u00e7\u00e3o civil em defesa dos direitos humanos, o que a ajudou muito.<\/p>\n<p>Os casos mais dif\u00edceis s\u00e3o aqueles em que o crime organizado assume uma universidade ou partes dela, infiltrando-se nos seus agentes e raptando professores e estudantes para extorquir dinheiro \u00e0s autoridades. Isto aconteceu h\u00e1 alguns anos na Universidade Aut\u00f3noma de Tamaulipas. Foram tomadas medidas de prote\u00e7\u00e3o parciais, tais como a desocupa\u00e7\u00e3o dos campi universit\u00e1rios antes das 19 horas, mas o rem\u00e9dio foi mudar as autoridades (gest\u00e3o interm\u00e9dia), que j\u00e1 estavam demasiado expostas e facilmente localizadas pelos criminosos, pois eram eles que tinham os fundos e pagavam os resgates. A sua remo\u00e7\u00e3o dos seus postos pode ser entendida como um mecanismo de protec\u00e7\u00e3o. A centraliza\u00e7\u00e3o dos recursos econ\u00f4micos na mais alta autoridade foi fundamental, bem como o estabelecimento de regras claras para o seu exerc\u00edcio. Isto tamb\u00e9m foi ajudado pela implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de transpar\u00eancia e responsabilidade por parte do governo federal. Em geral, a infiltra\u00e7\u00e3o do crime organizado nas universidades n\u00e3o foi analisada.<\/p>\n<h4>Qual \u00e9 o papel ou rea\u00e7\u00e3o das universidades ou institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas no M\u00e9xico quando algum dos seus pesquisadores \u00e9 v\u00edtima de amea\u00e7as ou outros tipos de ass\u00e9dio?<\/h4>\n<p>At\u00e9 agora, os pr\u00f3prios investigadores esconderam ou minimizaram os ataques que sofreram e as universidades n\u00e3o tomaram medidas sobre o assunto de forma institucional. Apenas os acad\u00eamicos do referido CIESAS tomaram medidas para se protegerem a si pr\u00f3prios. Realizaram mesas redondas para decidir o que fazer. Os resultados destas mesas redondas, j\u00e1 mencionados acima, foram o 38\u00ba n\u00famero da revista Desacatos (2012) coordenada por Mar\u00eda Eugenia de la O, uma s\u00e9rie de v\u00eddeos coordenados por Victoria Novelo: &#8220;Investigar en tiempos violentos&#8221;, e um protocolo de seguran\u00e7a para acad\u00eamicos e estudantes.<\/p>\n<p>Em geral, os acad\u00eamicos implementaram as suas pr\u00f3prias medidas de seguran\u00e7a. Perante o ass\u00e9dio das autoridades governamentais (que tamb\u00e9m atacam), as institui\u00e7\u00f5es permanecem \u00e0 margem e s\u00e3o os pr\u00f3prios colegas que organizam medidas de protesto, tais como manifesta\u00e7\u00f5es ou declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<h4>Que recomenda\u00e7\u00f5es teria para que as universidades e as autoridades tratassem destes casos e prestassem apoio\/prote\u00e7\u00e3o aos pesquisadores?<\/h4>\n<p>Parece-me que as medidas tomadas pelo CIESAS s\u00e3o altamente recomend\u00e1veis: estabelecer protocolos gerais de prote\u00e7\u00e3o e inst\u00e2ncias especializadas para acompanhar e atender os casos, tanto jur\u00eddica como psicologicamente. Poucos pesquisadores falam do estresse e sofrimento que sofreram como resultado destes ataques, mas sem d\u00favida que estes e outros sentimentos est\u00e3o presentes e requerem um tratamento adequado.<\/p>\n<p>A visibilidade tamb\u00e9m \u00e9 importante e tornar p\u00fablica a procura de seguran\u00e7a para estudantes e acad\u00eamicos \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Celia del Palacio Revis\u00e3o de portugu\u00eas feita por Fernada Terra &#8220;Os acad\u00eamicos preferem manter um perfil baixo e n\u00e3o ser identificados como poss\u00edveis alvos de ataques&#8221; Nesta entrevista, Celia del Palacio nos fala dos desafios de lidar com a viol\u00eancia contra os acad\u00eamicos no M\u00e9xico, explicando a sua invisibilidade e naturaliza\u00e7\u00e3o num contexto caracterizado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":56,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"1080","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-115","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":210,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions\/210"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}