{"id":104,"date":"2021-07-27T10:49:55","date_gmt":"2021-07-27T08:49:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/?p=104"},"modified":"2021-07-31T22:02:15","modified_gmt":"2021-07-31T20:02:15","slug":"entrevista-com-a-professora-sara-fernandez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/entrevistas\/entrevista-com-a-professora-sara-fernandez\/","title":{"rendered":"Entrevista com a Professora Sara Fernandez"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.7&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;30px|||||&#8221;][et_pb_row column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.8.1&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;0px||20px|||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.7&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.9.10&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_4_font=&#8221;|700||||on|||&#8221; header_4_text_color=&#8221;#A0522D&#8221; header_4_line_height=&#8221;1.5em&#8221; custom_padding=&#8221;1px|||||&#8221;]<\/p>\n<h4>&#8220;Que pena que na Col\u00f4mbia estejamos mais preparados para a morte do que para a vida&#8221;<\/h4>\n<p><strong>A professora Sara Fern\u00e1ndez, secret\u00e1ria do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Professores da Universidade de Antioquia, foi for\u00e7ada a deixar o seu pa\u00eds depois de ter sido v\u00edtima de um atentado contra a sua vida dentro da sua casa em Medell\u00edn, em Mar\u00e7o de 2020. Alguns dias antes do evento, a Associa\u00e7\u00e3o de Professores, assim como outras organiza\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, colegas e estudantes do Alma Mater, tinham recebido amea\u00e7as. O ataque sofrido pela Professora Sara n\u00e3o \u00e9 um caso isolado em Antioquia, mas reflete um padr\u00e3o hist\u00f3rico e c\u00edclico de viol\u00eancia contra aqueles que trabalham na Universidade e defendem a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica em Antioquia e no pa\u00eds. Nesta entrevista, a professora conta a sua experi\u00eancia e tamb\u00e9m exp\u00f5e as dificuldades das universidades para lidar com este tipo de situa\u00e7\u00e3o e prestar um melhor apoio \u00e0s v\u00edtimas.<\/strong><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.7&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/07\/Sara-dernandez.jpeg&#8221; title_text=&#8221;Sara dernandez&#8221; _builder_version=&#8221;4.9.0&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||5px|||&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.9.2&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; min_height=&#8221;8.6px&#8221;]<\/p>\n<p>Sara Fern\u00e1ndez<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.9.0&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;19px|||||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.8.2&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.9.10&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_4_font=&#8221;|700||||on|||&#8221; header_4_text_color=&#8221;#A0522D&#8221; header_4_line_height=&#8221;1.5em&#8221; custom_margin=&#8221;||-63px|||&#8221; custom_padding=&#8221;1px||74px|||&#8221;]<\/p>\n<h4>Comecemos com uma apresenta\u00e7\u00e3o de voc\u00ea e ao que aconteceu.<\/h4>\n<p>Eu sou Sara Yaneth Fern\u00e1ndez Moreno. Sou a nona de uma fam\u00edlia de nove filhos. A minha m\u00e3e era professora rural e o meu pai era agricultor. Sou licenciada em universidades p\u00fablicas. Se n\u00e3o tivesse ido para a Universidade Nacional da Col\u00f4mbia em Bogot\u00e1, n\u00e3o teria podido estudar uma carreira.<\/p>\n<p>Na Universidade Nacional licenciei-me em Servi\u00e7o Social, fui formada na \u00e1rea hospitalar e comecei a trabalhar em quest\u00f5es relacionadas com o direito \u00e0 sa\u00fade, direitos sexuais e reprodutivos. Depois fiz um mestrado no M\u00e9xico no El Colegio de la Frontera Norte em estudos populacionais; a minha tese era sobre sa\u00fade sexual e reprodutiva no M\u00e9xico, altura em que me assumi como feminista. Regressei \u00e0 Col\u00f4mbia e em 1997 entrei para a Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica H\u00e9ctor Abad G\u00f3mez, em Medell\u00edn, como professora em tempo parcial. Desde esse ano sou professora na Universidade de Antioquia, da \u00e1rea da sa\u00fade mudei-me para a \u00e1rea das Ci\u00eancias Sociais e Humanas como professora a tempo integral em 2001. Tamb\u00e9m fiz o meu doutorado no M\u00e9xico em Ci\u00eancias da Sa\u00fade Colectiva com a Escola de Medicina Social Latino-americana da Universidade Aut\u00f3noma Metropolitana de Xochimilco. A minha forma\u00e7\u00e3o de doutorado foi orientada para a perspectiva feminista na sa\u00fade de fato, enquanto no M\u00e9xico coordenei a Rede Latino-Americana de G\u00e9nero e Sa\u00fade Colectiva da ALAMES. Nessa altura j\u00e1 me tinha definido como feminista, ativista e acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Quando regressei \u00e0 Col\u00f4mbia depois de terminar o meu doutorado em 2008, fui confrontada com a crise do financiamento da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no pa\u00eds. Em 2009, a mobiliza\u00e7\u00e3o social come\u00e7ou porque o modelo de educa\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia visava o desfinanciamento da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a sua eventual privatiza\u00e7\u00e3o. Foi a\u00ed que comecei a participar fortemente na mobiliza\u00e7\u00e3o social sobre esta quest\u00e3o, e em 2010 tornei-me Vice-Presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Professores da Universidade de Antioquia. J\u00e1 tinha tido experi\u00eancia no trabalho sindical, tinha sido representante professoral na Faculdade Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica H\u00e9ctor Abad G\u00f3mez e fazia parte da Associa\u00e7\u00e3o desde que entrei como professora na Universidade. Esta Associa\u00e7\u00e3o tem agora quase 60 anos de exist\u00eancia. Tal como a Faculdade, a Associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi fundada por H\u00e9ctor Abad G\u00f3mez, m\u00e9dico de sa\u00fade p\u00fablica e defensor dos direitos humanos, assassinado em 1987; Abad foi um lutador pelo direito \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 paz e o direito \u00e0 vida. Juntamente com H\u00e9ctor Abad, entre 1987 e 1988, mais de metade do conselho de administra\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Professores de Antioquia foi assassinada (Ver o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UFACxgy7ohw&amp;t=154s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo<\/a> em espanhol).<\/p>\n<p>Com a mobiliza\u00e7\u00e3o, pudemos parar em parte a quest\u00e3o do desfinanciamento do ensino p\u00fablico. \u00c9 um momento muito importante porque participamos na Mesa Amplia Nacional por la Educaci\u00f3n MANE, e Antioquia teve um papel proeminente da din\u00e2mica regional como Mesa Amplia Regional por la Educaci\u00f3n en Antioquia, MAREA, nessa altura participei diretamente no processo como presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o por dois per\u00edodos e como membro por um per\u00edodo, recuperando nessa altura, a din\u00e2mica multiestamentaria na Universidade. Recordo que formamos a Mesa de Transforma\u00e7\u00e3o Institucional, MATI, que nos permitiu ratificar o car\u00e1ter p\u00fablico da Universidade quando, reitero, as diretivas governamentais apontam duramente para a privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o h\u00e1 algum tempo. Depois retirei-me um pouco da atividade da Associa\u00e7\u00e3o, porque fui por um per\u00edodo de dois anos representante professoral suplente no Conselho Superior da Universidade, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo de governo da Universidade; quando terminei o per\u00edodo de representa\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s um ano e meio, voltei a integrar o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o, desta vez como Secret\u00e1ria da Associa\u00e7\u00e3o. Ali participamos na greve nacional e na mobiliza\u00e7\u00e3o contra a pol\u00edtica do Presidente Iv\u00e1n Duque (2018-presente) que desde Novembro de 2018 incluiu um pacote de medidas regressivas para acabar com tudo o que restava do estado social de direito. Como depois dessa mobiliza\u00e7\u00e3o vimos que os pontos de acordo com v\u00e1rios setores, incluindo as universidades p\u00fablicas, n\u00e3o foram satisfeitos, ent\u00e3o aderimos \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es nacionais e aos cacerolazos (panela\u00e7os?) em Novembro de 2019. Isto continuou at\u00e9 Fevereiro de 2020. Tinha desempenhado um papel muito vis\u00edvel na den\u00fancia p\u00fablica do uso excessivo da for\u00e7a e dos abusos cometidos pelo pelot\u00e3o de choque ao conter as mobiliza\u00e7\u00f5es, como delegada ao Comit\u00e9 Permanente dos Direitos Humanos para o setor da educa\u00e7\u00e3o no contexto do protesto social, que acabei por demitir-me em Novembro de 2019, precisamente por essa raz\u00e3o. Na verdade, est\u00e1vamos cada vez mais convencidos de que havia pessoas a infiltrar-se para romper as marchas que, em princ\u00edpio, eram pac\u00edficas. T\u00ednhamos feito muitas den\u00fancias sobre o assunto atrav\u00e9s de artigos na imprensa, comunicados, reuni\u00f5es e assembl\u00e9ias, que eram abertas e p\u00fablicas. Na segunda-feira, 2 de Mar\u00e7o de 2020, recebemos panfletos amea\u00e7adores de um grupo que se autodenomina Autodefensas Gaitanistas de Colombia. A Universidade apareceu com muitos papeles amea\u00e7ando todos os organismos filiados da universidade. Ou seja, associa\u00e7\u00f5es, sindicatos, escrit\u00f3rios de estudantes, mesmo alguns colegas e estudantes com os seus pr\u00f3prios nomes foram amea\u00e7ados. A Associa\u00e7\u00e3o de Professores, da qual fui secret\u00e1ria do conselho de administra\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m foi amea\u00e7ada. Isso foi na segunda-feira, dia 2 (ver not\u00edcia em espanhol <a href=\"https:\/\/www.eltiempo.com\/colombia\/medellin\/rechazan-panfleto-amenazante-en-la-universidad-de-antioquia-468176\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>). Ou seja, as amea\u00e7as est\u00e3o a voltar com a mobiliza\u00e7\u00e3o social. Digo &#8220;voltar&#8221; porque n\u00e3o \u00e9 novidade. Ap\u00f3s as amea\u00e7as de 2 de Mar\u00e7o, realizamos uma assembl\u00e9ia multi-estamentaria com o gabinete do reitor e a dire\u00e7\u00e3o da universidade no dia 3 de Mar\u00e7o. Nessa altura, est\u00e1vamos em confronto com o presidente da c\u00e2mara de Medell\u00edn, Daniel Quintero Calle, porque ele estava praticamente a militarizar as universidades para impedir a mobiliza\u00e7\u00e3o e o protesto social. O presidente da C\u00e2mara autorizou o pelot\u00e3o de choque a entrar nas universidades face a qualquer acontecimento que fosse considerado uma &#8220;amea\u00e7a \u00e0 paz&#8221;. Isto \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o da autonomia universit\u00e1ria, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma extralimita\u00e7\u00e3o das suas fun\u00e7\u00f5es, e n\u00f3s demos conhecimento a isto em comunicados e pronunciamentos fortes. Mesmo a 3 de Mar\u00e7o, o Presidente da C\u00e2mara ordenou a evacua\u00e7\u00e3o da Universidade Nacional de Medell\u00edn desde um helic\u00f3ptero da polic\u00eda lan\u00e7ando g\u00e1s lacrimog\u00eaneo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da manh\u00e3 do dia 4 de Mar\u00e7o sofri o ataque em minha casa \u00e0s 2 da manh\u00e3, eu estava sozinha, a dormir, e foi quando algu\u00e9m entrou e me esfaqueou. Falharam o seu alvo por mil\u00edmetros, a ferida era profunda, furou o meu pulm\u00e3o. Corri atr\u00e1s do assaltante. Pude pedir ajuda, chamar a pol\u00edcia e alertar a vigil\u00e2ncia. Alertei os vizinhos, chamei a ambul\u00e2ncia e o meu namorado. Consegui fazer tudo isso. Prenderam o homem que invadiu a casa e meses mais tarde prenderam outros dois que o ajudaram. Passei duas semanas em cuidados intensivos, n\u00e3o s\u00f3 devido \u00e0 gravidade da ferida mas tamb\u00e9m por causa de protocolos de seguran\u00e7a e vigil\u00e2ncia. Nesses mesmos dias, a pandemia e o isolamento no pa\u00eds come\u00e7aram.<\/p>\n<p>Tive uma ferida de 12 cent\u00edmetros. Enquanto o atacante com a faca perfurou o meu pulm\u00e3o, eu corria o risco de pneumot\u00f3rax. Isso significa que a \u00e1gua e o sangue entraram no meu pulm\u00e3o e poderia ter entrado em colapso. Tive 4 cirurgias e tiveram de colocar 4 tubos durante 2 semanas para drenar o pulm\u00e3o. Foi muito duro, os tubos v\u00e3o directamente para o pulm\u00e3o e \u00e9 muito doloroso. Essas feridas permanecem e eu tenho trat\u00e1-las para a recupera\u00e7\u00e3o do pulm\u00e3o e da capacidade respirat\u00f3ria. Tamb\u00e9m o tecido foi muito danificado, tem ainda que se regenerar e isso leva muito tempo.<\/p>\n<h4>Era conhecida a raz\u00e3o espec\u00edfica deste ataque contra voc\u00ea?<\/h4>\n<p>Ainda n\u00e3o. Presumo, a partir do panfleto amea\u00e7ador, que tenha tido a ver com o meu ativismo pol\u00edtico. O agressor foi condenado por tentativa de homic\u00eddio qualificado. E desde que aceitou um acordo, tem uma pena de pris\u00e3o de 10 anos que n\u00e3o pode ser comutada. Porque aceita ser o perpetrador, mas em cumplicidade. E como c\u00famplices, denunciou as outras duas pessoas que o ajudaram a realizar o ataque, mas n\u00e3o os autores intelectuais, que neste momento \u00e9 objeto de outra investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>E relaciona-o com alguma causa em particular?<\/h4>\n<p>Pode ser porque a universidade \u00e9 amea\u00e7ada de tempos a tempos. Quando a universidade se mobiliza, quando denuncia e come\u00e7a a tornar-se vis\u00edvel ao n\u00edvel do p\u00fablico, come\u00e7am as amea\u00e7as. \u00c9 algo que \u00e9 recorrente. \u00c9 tamb\u00e9m amplamente conhecido que houve estruturas paramilitares dentro da Universidade, de fato, houve um grupo paramilitar conhecido como Autodefensas Universidad de Antioquia no ano 2000, esta informa\u00e7\u00e3o circulou na prensa local e nacional, tamb\u00e9m em investiga\u00e7\u00f5es que ligaram professores, estudantes e trabalhadores com paramilitares dentro da Universidade.<\/p>\n<h4>Ainda \u00e9 esse o caso hoje?<\/h4>\n<p>At\u00e9 agora n\u00e3o tem sido t\u00e3o vis\u00edvel, mas devido \u00e0 complexidade do conflito armado na Col\u00f4mbia e especialmente em Antioquia, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos exclu\u00ed-lo. Antioquia \u00e9 territ\u00f3rio Uribista, ultra-conservador. E Medell\u00edn \u00e9 um territ\u00f3rio em permanente disputa. O narco-estado \u00e9 vis\u00edvel a todos os n\u00edveis e todos sabem que est\u00e1 l\u00e1. J\u00e1 h\u00e1 algum tempo que n\u00e3o vemos nada assinado como &#8220;Autodefensas Universidad de Antioquia&#8221;, mas j\u00e1 ainda l\u00e1 est\u00e1. De fato, em Hacemos Memoria, um projeto da Universidade de Antioquia, pode-se ver uma linha temporal de viol\u00eancia e resist\u00eancia no Alma Mater. Lembramos recentemente do assassinato de Gustavo Marulanda, um estudante de filosofia cuja morte coincide precisamente com o per\u00edodo de forte paramilitarismo na universidade (ver v\u00eddeo <a href=\"http:\/\/hacemosmemoria.org\/2018\/08\/05\/gustavo-marulanda-udea\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui em espanhol)<\/a>: Gustavo Marulanda: Quem se lembra dele &#8211; Hacemos Memoria). O v\u00eddeo mostra como todos os elementos contextuais em torno do assassinato de Gustavo fora da universidade t\u00eam sido muito semelhantes \u00e0 situa\u00e7\u00e3o actual. Ou seja, aconteceu no contexto das exig\u00eancias de um amplo financiamento da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, da democracia na universidade, da autonomia universit\u00e1ria, do respeito pela vida, da conten\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a, e do respeito pela universidade como territ\u00f3rio. E aqui se pode ver como as amea\u00e7as s\u00e3o c\u00edclicas. Os tempos mais violentos contra a universidade est\u00e3o certamente num ciclo. N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia.<\/p>\n<h4>Quais foram as repercuss\u00f5es ap\u00f3s o ataque?<\/h4>\n<p>Sou uma pessoa vis\u00edvel em Antioquia e a n\u00edvel nacional. Havia muita solidariedade de muitas pessoas e organiza\u00e7\u00f5es. O coletivo Justicia Mujer, que \u00e9 um coletivo de advogadas feministas, deu-me muito apoio; um dos membros do coletivo est\u00e1 a acompanhar-me legalmente. O Instituto Popular de Capacitaci\u00f3n (IPC), do qual sou membro, tamb\u00e9m forneceu um advogado. A Corporaci\u00f3n Jur\u00eddica Libertad, que \u00e9 uma conhecida organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos em Medell\u00edn, tamb\u00e9m me apoiou imediatamente com representa\u00e7\u00e3o legal. A Universidade n\u00e3o tem sido t\u00e3o diligente nesta mat\u00e9ria porque n\u00e3o sabe como proceder a este respeito. O fato de haver por vezes muito institucionalismo pode n\u00e3o ser t\u00e3o eficaz como se desejaria. Tenho uma certa insatisfa\u00e7\u00e3o porque h\u00e1 muita improvisa\u00e7\u00e3o com as medidas em rela\u00e7\u00e3o a mim e aos meus colegas amea\u00e7ados, no momento em que tudo se tornou complicado, incerto e desolado, nem a Universidade, nem eu sab\u00edamos exatamente o que fazer com a minha situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A universidade p\u00fablica na Col\u00f4mbia \u00e9 um alvo permanente de amea\u00e7as e n\u00e3o existem regulamentos para lidar com estas situa\u00e7\u00f5es, dever\u00edamos ter muitas mais estrat\u00e9gias para lidar com elas e n\u00e3o as temos. N\u00e3o conhec\u00edamos as redes e organiza\u00e7\u00f5es que trabalham sobre estas quest\u00f5es como os acad\u00eamicos em risco. Havia muita improvisa\u00e7\u00e3o e ignor\u00e2ncia, muitos colegas ficaram paralisados com esta situa\u00e7\u00e3o, e a pandemia e o isolamento n\u00e3o ajudaram. Al\u00e9m disso, h\u00e1 muito medo. Muitos dos que foram amea\u00e7ados deixaram Medell\u00edn, mas nem todos podem sair. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de partir.<\/p>\n<h4>O que aconteceu depois? Apresentou um relat\u00f3rio?<\/h4>\n<p>Tornei-me uma guardi\u00e3 p\u00fablica para minha aseguran\u00e7a pessoal. Enquanto estava na cl\u00ednica apresentei uma queixa e eles deram-me prote\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria atrav\u00e9s da Unidade de Protec\u00e7\u00e3o Nacional (UNP), que faz parte do Minist\u00e9rio do Interior e consiste num programa para a prote\u00e7\u00e3o de l\u00edderes sociais, defensores dos direitos humanos, jornalistas e outros grupos amea\u00e7ados. Durante a minha estadia no hospital, estive sempre sob escolta policial. Depois disso, o meu parceiro e eu fomos levados para um hotel com seguran\u00e7a, tais como c\u00e2maras de vigil\u00e2ncia, entre outras medidas. A pandemia complicou as coisas, mas conseguimos obter seguran\u00e7a b\u00e1sica enquanto o estudo de risco estava a ser feito e o esquema de prote\u00e7\u00e3o permanente foi autorizado ate agosto. E ent\u00e3o come\u00e7ou o conluio burocr\u00e1tico entre a Unidade de Protec\u00e7\u00e3o Nacional, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Pol\u00edcia e todas as ag\u00eancias locais e nacionais envolvidas nestes casos. Percebemos que os diferentes organismos, apesar de serem organismos p\u00fablicos, n\u00e3o comunicam, nem se coordenam entre si. A UNP \u00e9 uma coisa, a pol\u00edcia \u00e9 outra e o Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 outra. Foi uma loucura. Al\u00e9m disso, a UNP fez o que \u00e9 conhecido como um &#8220;estudo de risco&#8221; sobre a minha situa\u00e7\u00e3o, mas em Maio, ou seja, dois meses ap\u00f3s o ataque; o estudo era muito deficiente, quando vi o documento final descobri que eles tiraram conclus\u00f5es totalmente distorcidas. Sei o que disse o que estava dito! E como resultado, foram tomadas medidas inadequadas. Se o estudo n\u00e3o estivesse de acordo com os factos, as conclus\u00f5es e as medidas tamb\u00e9m n\u00e3o poderiam ser adequadas, isso era frustrante.<\/p>\n<h4>Foram-lhe oferecidas quaisquer outras propostas e\/ou medidas de prote\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p>Durante esses meses, por exemplo, o procurador assistente da investiga\u00e7\u00e3o telefonou-me e ofereceu-me para fazer parte do programa de prote\u00e7\u00e3o de testemunhas. A pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o de testemunhas \u00e9 a seguinte: \u00e9 transferido para a cidade X para habita\u00e7\u00e3o financiada pelo Estado durante a dura\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o. Uma vez terminada a investiga\u00e7\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o termina, d\u00e3o-lhe tr\u00eas meses de subs\u00eddio pela falta de emprego e \u00e9 tudo. Eu disse: &#8220;Tenho cinquenta anos, vou completar vinte e cinco anos de trabalho, o que vai acontecer com meu trabalho? Ele disse: &#8220;Desiste. E eu disse: &#8220;O que \u00e9 que eu fa\u00e7o&#8221;. Ele diz: &#8220;Comece de novo&#8221;. Eu disse: &#8220;Onde e com o qu\u00ea? Eu disse definitivamente que n\u00e3o, esse programa n\u00e3o funcionava para mim e eu n\u00e3o o ia aceitar.<\/p>\n<h4>Como reagiram as autoridades universit\u00e1rias a sua situa\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p>Foram solid\u00e1rios, diligentes, incondicionais mas muito assustados e aterrorizados. Contava com um \u00f3rg\u00e3o dirigente disposto e atento. A primeira coisa foi a minha seguran\u00e7a f\u00edsica e a minha sa\u00fade. Tive os melhores cuidados m\u00e9dicos. Eles estavam atentos a mim, visitaram-me v\u00e1rias vezes no hospital. Estou muito grato por isso. Humanamente falando, \u00e9 reconciliante porque podemos ter diferen\u00e7as em muitas coisas, mas somos colegas, e para mim foi gratificante. A comunidade universit\u00e1ria espontaneamente no dia do ataque fez um abra\u00e7o simb\u00f3lico da cl\u00ednica onde eu estava, que estava em frente \u00e0 universidade, que foi absolutamente comovente, maravilhoso; foi um ato muito bonito que me deu muita esperan\u00e7a. Al\u00e9m disso, ver como as pessoas superaram o seu medo, como n\u00e3o ficaram paralisadas e reagiram com amor, isso foi esmagador. Eu tinha gravado uma mensagem da cl\u00ednica onde dizia: &#8220;N\u00e3o desistamos. N\u00e3o baixemos a nossa guarda, a Universidade celebra a vida, a viol\u00eancia n\u00e3o tem lugar na Universidade. Tamb\u00e9m disse ao presidente da C\u00e2mara para deixar a institui\u00e7\u00e3o em paz, que a Universidade n\u00e3o deve ser tocada. (Ver o video em espanhol <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6Oa85weSnL4&amp;t=2s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sara Fernandez. A Alma n\u00e3o \u00e9 tocada<\/a>. #HojeTodosTomosSara &#8211; YouTube).<br \/>As pessoas pr\u00f3ximas de mim ficaram aterrorizadas e com raz\u00e3o, eu precisaba deixar o pa\u00eds imediatamente, estudamos as v\u00e1rias formas de<\/p>\n<p>trabalho que me permitiriam partir: primeiro pensamos num ano sab\u00e1tico, mas era muito pouco tempo para recuperar completamente, depois procuramos formas e alternativas diferentes de partir, mas foi complicado porque em todo o lado h\u00e1 subfinanciamento do ensino p\u00fablico e falta de estruturas de apoio mais eficazes, no melhor dos casos disseram-me: &#8220;Temos um escrit\u00f3rio para voc\u00ea, mas n\u00e3o h\u00e1 sal\u00e1rio e n\u00e3o h\u00e1 recursos para a sua estadia&#8221;.<\/p>\n<h4>A Universidade ajudou-o na sua pesquisa?<\/h4>\n<p>Vimos que nenhuma institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 preparada para estas conting\u00eancias e a Universidade n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, detectamos isto muito cedo, por isso come\u00e7amos com os meios mais pr\u00f3ximos, com as redes internacionais das quais fa\u00e7o parte. Ofereceram-me recepcionar em v\u00e1rios pa\u00edses, todos eles eram amigos, mas todos sabemos que os amigos nos recebem durante uma semana, mas ningu\u00e9m recebe amigos para viver. Al\u00e9m disso, tem de comer, trabalhar, ter um sal\u00e1rio e ter condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. E aqui vem outro ponto: quando j\u00e1 tenho uma carreira universit\u00e1ria de 25 anos, n\u00e3o estou interessada em abandon\u00e1-la. Assim, embora eu tenha sido convidada, n\u00e3o havia dinheiro. Tamb\u00e9m n\u00e3o existem acordos ativos que me permitam ir para as universidades onde tive contatos. E, al\u00e9m disso, quem paga o sal\u00e1rio? \u00c9 a\u00ed que o problema come\u00e7a. Ningu\u00e9m vai pagar um sal\u00e1rio. Assim, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o foi a figura da &#8220;comiss\u00e3o de estudo&#8221;. Enviam-no para estudar no estrangeiro, mant\u00eam o seu sal\u00e1rio e quando regressa tem de recuperar o tempo no trabalho.<\/p>\n<p>Nessa altura j\u00e1 n\u00e3o via nenhuma op\u00e7\u00e3o. Eu tinha entrado num estado de total desesperan\u00e7a. Mas verificou-se que quando o ataque aconteceu, houve muitas cartas e declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de solidariedade de colegas, coletivos, organiza\u00e7\u00f5es (<a href=\"\/\/www.semana.com\/agenda\/articulo\/el-gobierno-no-muestra-voluntad-de-rectificar-y-proteger-comunidad-academica-sobre-el-atentado-contra-docente-de-universidad-de-antioquia\/81077\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ver aqui para mais informa\u00e7\u00f5es<\/a>). Isso foi comovente. Gra\u00e7as a uma dessas cartas internacionais de apoio, consegui deixar o pa\u00eds, os colegas acolheram-me e abriram-me a possibilidade de continuar a trabalhar nas quest\u00f5es em que j\u00e1 estava a trabalhar na Col\u00f4mbia, que s\u00e3o as pol\u00edticas de equidade de g\u00e9nero no ensino superior e a elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia baseada no g\u00eanero nas universidades.<\/p>\n<h4>Quando deixou o pa\u00eds?<\/h4>\n<p>Deixei o pa\u00eds em Novembro de 2020. Nesse mesmo dia, o reitor da Universidade de Antioquia assinou o pacto p\u00fablico contra a viol\u00eancia contra as mulheres nas universidades, como parte da campanha da ONU \u201cMulheres para ciudades e universidades mais seguras para as mulheres\u201d. Nesse dia gravei um v\u00eddeo dizendo que era muito importante envolver todos os cidad\u00e3os para erradicar todas as formas de viol\u00eancia nos espa\u00e7os acad\u00eamicos universit\u00e1rios, incluindo, claro, a elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres nas cidades.<\/p>\n<h4>Como \u00e9 que est\u00e1 a viver no estrangeiro? Como \u00e9 que est\u00e1 agora?<\/h4>\n<p>Tenho a vantagem de j\u00e1 ter vivido no estrangeiro e essa experi\u00eancia \u00e9 inestim\u00e1vel, desenvolve-se uma importante capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e de enfrentar mais facilmente medos. Mas desta vez foi diferente, nunca pensei que teria de recome\u00e7ar aos 50 anos de idade, estava muito cansada, estava sobrecarregada; o pa\u00eds d\u00f3i e d\u00f3i muito, a realidade colombiana \u00e9 e continua a ser, de partir o cora\u00e7\u00e3o. Por isso n\u00e3o dei cr\u00e9dito a esta viagem, s\u00f3 pensei nela uma semana antes de viajar, nem sequer fiz a mala, a mala foi feita para mim, o que sobrou de mim chegou a um novo destino e recomecei de certa forma.<\/p>\n<p>S\u00f3 o mais importante aconteceu quando aqui cheguei: poder caminhar pela rua com absoluta tranquilidade, sentir-se segura, fora de perigo, poder desfrutar do sil\u00eancio e, sobretudo, poder dormir profundamente mais de quatro horas por dia com um sono verdadeiramente repousante, o que foi uma mudan\u00e7a substancial. Outra coisa que comecei a fazer e que n\u00e3o fiz: aprender a receber, isso \u00e9 importante, \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o; com as pessoas que me acolheram e os donos da casa onde vivo, tornamo-nos parte de uma fam\u00edlia alargada, completamente curativa.<\/p>\n<h4>O que recomendaria que pudesse ser \u00fatil para a sua situa\u00e7\u00e3o atual vivendo no estrangeiro depois de ter vivido um ataque t\u00e3o grave?<\/h4>\n<p>Um curso de l\u00ednguas seria \u00fatil, sempre, para tudo. Na verdade, todos os dias estudo e ouso falar mais, mas fiz tudo sozinha, porque tudo est\u00e1 parado com a pandemia, a universidade est\u00e1 fechada, trabalha-se a partir de casa e ser\u00e1 assim durante o resto do ano. Os primeiros meses da minha estadia aqui j\u00e1 passaram e j\u00e1 tenho compromissos como, por exemplo, publica\u00e7\u00f5es e relat\u00f3rios que tenho de apresentar como resultados da estadia p\u00f3s-doutorado; tenho de estar a trabalhar entre dois pa\u00edses com dois fusos hor\u00e1rios diferentes, sistematizando informa\u00e7\u00e3o, participando em reuni\u00f5es e escrevendo permanentemente. Estar aqui implica cumprir uma proposta acad\u00eamica exigente, onde tenho de entregar produtos concretos e embora os meus conselheiros tenham sido compreensivos e apoiantes, sei que tenho de responder com um bom trabalho e que por vezes me ultrapassa.<\/p>\n<h4>Por outras palavras, o programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o com o qual deixou o pa\u00eds \u00e9 um programa padr\u00e3o com o qual qualquer investigador que n\u00e3o tenha sido amea\u00e7ado pode sair? E isto tamb\u00e9m implica que estes programas n\u00e3o t\u00eam em considera\u00e7\u00e3o os desafios e particularidades de ter de deixar o pa\u00eds por causa do risco para a sua vida?<\/h4>\n<p>Exatamente. A figura da &#8220;comiss\u00e3o de estudo&#8221;, com a qual pude viajar, tem requisitos de estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel, parte da minha crise deve-se precisamente a isso. O programa n\u00e3o se adapta de todo, porque n\u00e3o foi concebido ou feito para isso, \u00e9 um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o como qualquer outro. \u00c9 por isso que por vezes me sinto sobrecarregada, por causa da quantidade de coisas que tenho de fazer. Insisto, tenho um elevado n\u00edvel de exig\u00eancia com o que fa\u00e7o e vejo a minha agenda cheia de compromissos. Al\u00e9m disso, a situa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 angustiante, inicialmente consegui obter financiamento para um ano, mas n\u00e3o tenho nada garantido para o tempo restante; onde o custo de vida \u00e9 elevado, o sal\u00e1rio da Col\u00f4mbia aqui desaparece.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com a pandemia, n\u00e3o h\u00e1 acesso a servi\u00e7os universit\u00e1rios que possam aliviar um pouco a situa\u00e7\u00e3o. Certamente haver\u00e1 muitos casos como o meu, valeria a pena pensar em linhas especiais de apoio dentro do ambiente acad\u00e9mico para pessoas que t\u00eam de chegar em seguran\u00e7a, mas que aspiram a continuar a sua atividade universit\u00e1ria como eu. O confinamento for\u00e7ado complicou um pouco as coisas, mas eu, teimosamente, mantenho a esperan\u00e7a, sei que a Primavera vir\u00e1 em breve.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre o contexto do caso Sara Fernandez e a situa\u00e7\u00e3o em Antioquia, consulte o s\u00edtio web da Associa\u00e7\u00e3o de Professores da Universidade de Antioquia (Asoprudea) e o comunicado de imprensa intitulado &#8220;A universidade p\u00fablica sob amea\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_button button_url=&#8221;https:\/\/asoprudea.org\/&#8221; url_new_window=&#8221;on&#8221; button_text=&#8221; Associa\u00e7\u00e3o de Professores da Universidade de Antioquia (Asoprudea)&#8221; _builder_version=&#8221;4.9.10&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_button=&#8221;on&#8221; button_text_color=&#8221;#FFFFFF&#8221; button_bg_color=&#8221;#A0522D&#8221; button_border_color=&#8221;RGBA(0,0,0,0)&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_button][et_pb_button button_url=&#8221;https:\/\/asoprudea.org\/images\/publicaciones\/Comunicados\/Asoprudea\/2020\/Ccado_Asoprudea_3marzo2020.pdf&#8221; url_new_window=&#8221;on&#8221; button_text=&#8221;Comunicado de imprensa: %22A universidade p\u00fablica sob amea\u00e7a%22&#8243; _builder_version=&#8221;4.9.10&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_button=&#8221;on&#8221; button_text_color=&#8221;#FFFFFF&#8221; button_bg_color=&#8221;#A0522D&#8221; button_border_color=&#8221;RGBA(0,0,0,0)&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_button][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Que pena que na Col\u00f4mbia estejamos mais preparados para a morte do que para a vida&#8221; A professora Sara Fern\u00e1ndez, secret\u00e1ria do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Professores da Universidade de Antioquia, foi for\u00e7ada a deixar o seu pa\u00eds depois de ter sido v\u00edtima de um atentado contra a sua vida dentro da sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"1080","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-104","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":157,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104\/revisions\/157"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academicxsenriesgo.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}